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Quarta-feira, Abril 30, 2008


.::. PRA EU PARAR DE ME DOER.::.

Mais que a dor do amor
Viver a dor, me doeu
Eu quero mesmo é ser feliz
Amar, amor

Quem não semear,
Não vai colher
Ai, de quem é um
E nunca será dois
Por não saber...

Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo
Quem irá me valer?
É o segredo de fazer amigos...

Milton Nascimento / Fernando Brant

.::.

Fiquei imaginando em como o mundo dá voltas e acaba por não sair do lugar. Em como sou o mesmo garoto perdido daquele outro tempo, entre serras e noites de lua cheia. Sonhando em acordar uma madrugada e, pulando a janela do quarto, dar de cara com um mundo diferente. Inventado, imaginado.

Mas aprendi que a única forma de criar um mundo novo é dar tempo ao tempo.

Perto do Coração Selvagem

.::.

Sabemos ... essa não é a única e nem a melhor forma, mas às vezes, é somente a que nos resta ...

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Domingo, Abril 20, 2008



Jim Vecchi

Por que tenho saudades de você, no retrato, ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?
Talvez por que o retrato, já sem o enfeite das palavras, tenha um ar de lembrança.
Talvez por que o retrato (exato, embora malicioso) revele algo de criança (como no fundo da água, um coral e repouso).
Talvez pela idéia de ausêcia que o seu retrato faz surgir colocado entre nós dois (como um ramo de hortência).
Talvez porque o seu retrato, embora eu me torne oblíquo, me olha sempre de frente (amorosamente).
Talvez porque o seu retrato mais se parece com você do que você mesma (ingrato).
Talvez porque, no seu retrato, você está imóvel (sem respiração...)
Talvez porque todo retrato é uma retratação...

Cassiano Ricardo

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Sexta-feira, Abril 18, 2008


.::. ONCE .::.

Cedo ou tarde descobrimos que sim, vale a pena seguir os caminhos apontados pelo brilho enluarado de nossos olhos, senão todos, alguns deles pelo menos. A escuridão do passado , da dor, dos medos e das dúvidas se esvanece silenciosa e um encanto de luz beija nossos dias. A melodiosa vida acorda ... e sendo perfeito ou fora do tom, o futuro pode ser a música de um álbum ou tão somente uma canção isolada que canta companheira aquilo que não se consegue dizer ...

Apenas Uma Vez. Um filme de John Carney. Irlanda , 2006 .

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Segunda-feira, Abril 14, 2008


.::. DOM QUIXOTE .::.


Thelma Cruz

Com mãos sonhadoras moldei castelos efêmeros
iluminados pelo calor brando do entardecer .
Em nuvens sopradas por ventos inclementes ,
a noite se fez chuva em meus olhos.

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Sexta-feira, Abril 04, 2008




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Terça-feira, Janeiro 15, 2008



Joepe Wolfe

Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo, um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender por que se agridem
Se empurram pr´um abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair

Adeus.

Vander Lee

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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008


.::. CENTELHA .::.


Autor desconhecido

Pólen alado
Fecunda a semente
Germina vida

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Domingo, Dezembro 23, 2007


.::. LUZES DE DEZEMBRO .::.

Tempo de agitação, correria, ruas cheias, festas, confraternizações, férias, compras, presentes, árvores enfeitadas, papais-noéis, cartões, novas agendas, novos propósitos, contagens regressivas, fogos de artifício, felicitações, lembranças do que agora é passado, desejos do que amanhã será o presente.

E o espírito natalino? Come-se em fartas ceias? Desembrulha-se dos papéis e fitas e depois guarda-se no fundo da gaveta ? Descarta-se com os balões coloridos?

Paramos hoje, um momento que seja , para agradecer a benção da vida que temos, as alegrias e também os percalços e tristezas que nós e os nossos tiveram pelo caminho? Paramos para aceitar o convite contínuo do novo em cada alvorecer/anoitecer e mais, para nos sintonizarmos com o maior ensinamento de uma simples e humilde criança, que simbolicamente “renasce” todos os anos para nos lembrar que “Amar” não é só uma esperança, mas uma realidade possível?

Onde ficam a nossa disposição de abrir o coração e a atitude de arregaçar as mangas e tornar este ensinamento uma prática diária, de dezembro a dezembro?

Doar e compartilhar um pouco de si mesmo... Não são necessários grandes gestos, muito pelo contrário. Bem perto de nós sempre haverá alguém ( inclusive nós próprios ) esperando por um alimento que sacie a fome, uma roupa que aqueça o corpo, um cuidado para uma saúde frágil, um material e um incentivo para estudo, um olhar atento à nossa "casa", ao ambiente e à natureza viva da qual somos parte ativa, uma palavra amiga, um ouvido atento, um sorriso espontâneo , um tempo e uma presença que alimentem a alma, o corpo, ou apenas e tão somente, uma mão estendida e comprometida a amar incondicionalmente.

Toques de amor iluminam mais que pisca-piscas reluzentes. Eles despertam e renovam os espíritos e duram mais que uma estação ... duram um instante realmente vivido.

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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007





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Sábado, Dezembro 08, 2007



Philip Schermeister

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007


.::. PURIFICAÇÃO .::.

Quatro horas . O gavião marrom fechou suas asas e pousou vibrando o ar. Num vôo baixo e rápido me indicou a direção. Leste. Saí do carro e o segui em passadas hipnóticas até uma espécie de ninho entre galhos secos e folhas verdes de uma palmeira logo acima. Ele , à mostra, deixou que eu, num misto de surpresa, incredulidade e comoção , o observasse enquanto "trabalhava" calmamente com o bico . Um aceno em sentido oposto desviou minha atenção e não mais o vi . De repente, enquanto as nuvens no céu tingiam-se de cinza, me falou pelo Vento - prenúncio de tempestade, chamado.

Retornei ao meu caminho, agora com o coração em batidas descompassadas na cadência de grossos pingos que manchavam o chão . Chuva intensa , ventania . Nos olhos e na alma, inquietação. Sussurro ancestral na pele. O céu em prantos pedia uma oferenda enquanto derramava bençãos . Purificação...

Em casa , uma hora depois, nua em penas, pés descalços e asas nos braços , misturando-me às poças refletidas, entreguei-me num vôo cego à Água da Vida entre as folhagens e galhos salpicados de tarde , envolvida pelo aroma de hortelã e pelo toque de sementes da árvore da felicidade. Então , após o "batismo", de joelhos, com as mãos postas no peito e com o corpo ungido e vestido somente de pura chuva e agora abençoada pela Mãe Terra, agradeci .

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Domingo, Dezembro 02, 2007


.::. pertenSER .::.



Em mãos repletas de emoções e sensações contidas, o toque real de mundos invisívies transborda viço e liberdade : o toque da natureza envolvente, o toque dos pés na terra, o toque fresco da chuva, o toque de seda da flor, o toque do ar quente nas narinas, o toque de outra criatura, o toque de todo um corpo. Interpenetrações . Trocas. Percepções de si . Percepções do todo. Delicadeza e nuances . Despertar. Despir-se. Desprender-se . Nos caminhos do bosque e nos caminhos da vida , a busca instintiva não do animal , mas do humano. Amor. Sentimento-ser, pertenSer. Estamos todos vivos.

Lady Chatterley . Um filme de Pascale Ferran. França/Bélgica/Inglaterra, 2006

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Quinta-feira, Novembro 22, 2007


.::. SOLARIS .::.


SOHO Consortium ESA/NASA

Crepitam
Fagulhas
Linguas de fogo

Explosões
Arrebatamento
Vento solar

Âmago
Em chamas
Transmuta

Sagrada
Fogueira
Viva

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Segunda-feira, Novembro 19, 2007


.::. VOCÊ TEM FOME DE QUÊ ? .::.




Segundo Rubem Alves " há dois tipos de alimentos: os alimentos que alimentam o corpo e os alimentos que alimentam a alma. Os alimentos que alimentam o corpo , nós os representamos poeticamente pelo pão. (...) A alma não se alimenta de pão. Ela se alimenta de beleza. A beleza tem o efeito oposto ao do pão: ela nos torna cada vez mais leves. Não é raro que aqueles que dela se alimentam se tornem criaturas aladas e desapareçam no azul do céu, onde moram os deuses, os anjos e os pássaros."

E você, por quê não contribuir para alimentar a ambos, o corpo e a alma ?

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O Projeto Pão e Poesia é uma iniciativa do poeta mineiro, Diovanni Mendonça, em parceria com uma empresa de embalagens da cidade Contagem (MG). Trata-se de estampar os poemas de novos autores que permutem os direitos autorais pela divulgação de seus trabalhos no verso das embalagens de pão. De início serão impressas 300.000 embalagens .

Em dezembro os poemas serão selecionados por poetas convidados e até o início de março as embalagens ilustradas com o logo do Projeto e os poemas já estarão adoçando na mesa dos mineiros. Segundo seu criador, o projeto será anual.

.::.


Fica aqui um convite para você que tem fome ... de "espalhar" poesia no pãozinho de cada dia .

Onde fica
Pão e Poesia (para saber mais detalhes do projeto)
Veja uma entrevista sobre o projeto Pão e Poesia ( após ~ 3:30 )
pao.poesia@yahoo.com.br (para se inscrever).
E depois, nas mesas mineiras.

Por que ir
Porque você poderá criar manhãs de descoberta e sonho, de alimento e fantasia.

Quando ir
Todo dia, até 30 de novembro de 2007 ( quando se encerram as inscrições)

Quem vai
Todos que alimentam almas com sonhos e nuvens e que precisam de poesia para acordar o dia.

Quanto custa
Nada.

( texto adaptado de Espalhando Poesia - Overmundo )

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Quinta-feira, Novembro 15, 2007



John Banagan

Arranha a cara nos espinhos do mato, perde o fôlego
mas não desiste de chegar ao ponto mais alto.
De tanto andar fazendo esforço se torna
um organismo em movimento reagindo a passadas, e só.
Não sente fome nem saudade nem sede,
confia apenas nos instintos que o destino conduz.
Puxado sempre para cima, o animal é um imã .

Leonardo Fróes

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Sábado, Novembro 10, 2007




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Quinta-feira, Novembro 01, 2007


.::. INCARNATO .::.


www.2photo.ru

Sem aviso, um rastro. Na pele, o sinal . Encarnado. Premente. Perdida, onde me desviei ? No coração imortal da Terra, vida lateja. Essência vital. Chama. Sei o caminho de volta (?)

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Quinta-feira, Outubro 25, 2007


.::. CLAIRE DE LUNE .::.

Uma despedida . Aquela que poderia ser apenas mais uma entre tantas outras, tal qual os ciclos da lua . A efetiva constatação da volta completa, do chegar e do ir-se.

Encontraram-se . Uma vez na semana, às quartas , durante meses. No mistério das escolhas do tempo, desconhecidos enfim reunidos pelo sopro sereno e vibrante de um homem e sua flauta.

De início nada a esperar. Depois, uma empatia de eras , uma lembrança desperta e a (re)descoberta . A prática sonora de uma teoria criada em outros tempos, a teoria dos afetos. A paixão expressa e resgatada em cada acorde ou silêncio . Reconhecer-se entre esperas e encontros, tensões e apaziguamentos, dor e prazer, embevecimento e angústia, surpresa e familiaridade, torrentes furiosas e plácidos caminhos a percorrer.

Eu e música.

Dizem do seu poder transformador . Uma certeza para esta cética. Embalada por Debussy , em quarta de lua cheia, toco ternamente seus reflexos claros em águas de sentimentos profundos. Não há despedidas . Ela , música-lua, vibra e resplandece em mim. E eu, com gotas lunares nos olhos, sempre serei grata a ele , um homem e sua flauta, por terem sido instrumentos doces desta (re)aproximação.

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Sexta-feira, Outubro 19, 2007



Sissi Brinberg & Cotton Coulson

(... ) está estranhando seu reflexo. Não num espelho específico, mas em qualquer surpefície que a devolva. Se pega e se perde em vidraças, balcões de metal, louças... Há mesmo algumas modificações entre a expressão que faz e aquela em que aparece. Dança, pula, esbofeteia o ar... e chega atrasada aos seus próprios gestos. É mais ridículo que preocupante. Só rindo pra se aguentar se fugindo dessa forma. Não está interessada em fazer companhia a si mesma. Diria que é melhor nem encontrar consigo até que uma das duas resolva a diferença.

Fernando Bonassi

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Sexta-feira, Outubro 12, 2007


.::. OCASO .::.


Duarte Silva

Tarde apaga
Balão ensolarado
Noite ascende

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.::. Eco d´alma .::.



.::.


.::. Par .::.


pandaandando

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.::. Eu sou .::.




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.::. Ecos solidários .::.


Colabore. Os anjos da Aldeia precisam e agradecem.


Colabore. As crianças agradecem . Contato com a instituição pelo telefone : (31)3598.1811


Colabore. A casa de apoio ao carente oncológico agradece.


Colabore


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.::. Eco de cor .::.


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