Bambu Oco

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Domingo, Novembro 22, 2009


.::. ESPECIARIAS .::.


Peter Adams

Caminhos ...
Um caminho, a India
Caminho na India ...


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Quinta-feira, Agosto 20, 2009


.::. PRANTO .::.


Sonia A. Mascaro

Chora o ipê
Lágrimas-pétalas
De olhos rosa


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Domingo, Agosto 09, 2009


.::. ELOS .::.



Tempo-presente ... sempre haverá (um) tempo para se fazer lembrar .


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Domingo, Agosto 02, 2009


.::.MINGUANTE.::.


Thelma Cruz

Era tarde de sexta-feira enquanto varria o jardim . De repente asinhas bateram . Uma pequena luinha de penas crescentes tentou voar por entre minhas pernas sem conseguir . Diante dos meus olhos, assustado, correu para a rua em passinhos rápidos . Temerosa fui buscá-lo . Como era muito pequenino olhei entre os jasmins em busca de sinais de sua mãe ou do seu ninho . Não os encontrei . Levei-o então para dentro.

Um erro....

Meu irmão , lembrando-se de vovô, sugeriu alimentá-lo no biquinho como ele fazia com os filhotinhos que criava no canaril. Desajeitada, tentei sem sucesso.

No dia seguinte retornei ao jardim e nada encontrei . No quintal , entre rolinhas e pardais, o pequeno Lui se esquivava abrindo as asinhas com medo e encolhendo-se num cantinho procurando refúgio. No finalzinho da tarde tentei alimentá-lo novamente. Ele se apoiava nos meus dedos firmemente enquanto abria o biquinho tentando sugar .

Hoje ao acordar fui vê-lo. Esperou que eu chegasse , aninhou-se na palma de minha mão tentando se levantar , deu um pio sussurrado e num suspiro se foi . Ao pousá-lo novamente no jardim , levantei os olhos . Ali , no fio elétrico entre as folhas, um movimento e um pio . Um casal de rolinhas e outro pequenino filhote se juntaram a mim na despedida . Pedi a eles perdão.

Tentei interferir mais uma vez, humana e aprendiz que sou, no curso livre do vento e a tempestade inclemente desaguou em meus olhos . Será que um dia aprenderei ? A lua e o "pequetucho" Lui sabem .


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Sábado, Junho 20, 2009




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Sexta-feira, Junho 12, 2009


pode não ser sempre assim - digo: e se
seus lábios que tanto amo tocarem outros lábios
e seus dedos tão queridos
forte comprimirem outro coração
- como o meu, num tempo não distante
se a pele de outro rosto, macios seus pelos roçarem
num silêncio que bem sei ou
ao som de palavras contorcidas
- em voltas, volutas, rodopios -
desamparadas à face do mar

se assim for- digo: se
assim for - amor,
conta-me em breves palavras
que voarei até ele
para - mãos dadas - dizer :

aceita toda esta alegria que te dou

e voltando meu rosto hei de ouvir
um canto
de pássaro na distância
infinita das terras perdidas

E.E. Cummings ( tradução Johnatan Lira )


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Terça-feira, Junho 09, 2009


.::.EBULIÇÃO.::.


Erica Chappuis

É assim depois da colheita . A terra exausta se aquieta e se recompõe. Devagar busca razão e forças para germinar novamente. A sabedoria da criação , o poder das sementes. A vida em ebulição aguarda , mansa . Pulsa a temperatura do tempo.


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Quarta-feira, Maio 27, 2009


.::. BLAKE E EU .::.


William Blake

O Mote de Thel

Sabe Águia o que há na toca?
Ou à Toupeira perguntarás do que se trata?
Cabe a Sabedoria numa vara de prata?
Ou o Amor numa taça de ouro?

William Blake


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Segunda-feira, Maio 18, 2009


.::. BICO E PENAS .::.


Autor desconhecido

Domingo. Palheta vibrante e única no céu : azul . Quietude branda em manhã silenciosa. O dia se parte em dois : meio dia. Sentada lambendo os raios de sol , de repente , ouço bem perto um som agudo , rasgado e profundo . Um chamado rouba a visão que voa mais acima. Uma águia adornada com um colar de plumas brancas repousa mirando o leste . Imponente. No bico laranja , três penas acariciadas pelo vento . Coração dispara num crescente . Uma despedida soa novamente, agora gravada na pele . Os dias se fazem um : eu ... bico e penas.

17 de maio de 2009


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Sexta-feira, Maio 15, 2009


.::.CIDADANIA .::.

Há 7 meses atrás perdi o acesso a esse meu pequeno bangalô de bambu devido ao expurgo arbitrário do meu usuário. Após reclamações ignoradas, acionamento do PROCON , acordos não cumpridos, decisão desfavorável da justiça, falta de transparência da responsável pelo serviço, a GLOBO.COM e soluções parciais, enfim, e tão somente pela atenção e comprometimento de uma única atendente e posteriormente da equipe técnica envolvida , o Termo de Uso do Serviço com seus direitos e deveres foi respeitado e meu usuário, acesso e links foram totalmente restabelecidos. Bastou algo absolutamente simples em qualquer tipo de relação , seja ela de consumo ou não, bom senso e boa vontade.

Sim, poderia ter desistido ao primeiro não, à "encheção de saco e ao trabalhão" que dá procurar canais e alternativas para solução de problemas e claro, aos inúmeros reveses subsequentes. Afinal, o que é um blog, diriam alguns ? Um "amontoado de coisas" publicadas? Não para mim. Entretanto, são em pequenas atitudes no dia-a-dia que exercemos a nossa cidadania , o nosso ser e estar nessa sociedade na qual não somos apenas parte integrante, mas indivíduos livres e atuantes . Se não lutarmos por aquilo que acreditamos , por nossos direitos, se não exercermos nossos deveres , tendo o respeito aos limites de cada um como guia, quem o fará por nós ? Somos cidadãos , ajamos portanto, em todas as esferas de nossa vida como tais , sem preguiça, receio ou vergonha.


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Quarta-feira, Abril 22, 2009




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E um grito agonizante e pungente ecoa em todas as direções ... pede carinho, atenção, suplica por socorro.

Será que ainda somos capazes de ouví-lo ? E mais importante e urgente, somos capazes de estender a mão , em qualquer instância , e fazer algo ?

Sim, somos, pois Nós somos O Tempo , Nós somos A Terra .
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Segunda-feira, Abril 20, 2009


.::. FOTO-RAIZ .::.

Vasculhei seu rosto depois que o tempo o espalhou em pó e cristais de prata. Não o encontrei Meus olhos vazados buscaram em vão os seus. Seu toque terno não sensibilizava mais a pele da minha retina. Insensível ausência . Assustei-me. Visitei o presente-passado. Vazio, em desespero. Então, mergulhei o corpo na Terra. Senti raízes e verdes, envolvente e amante teia. Agora respiro você.


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Quinta-feira, Abril 09, 2009


.::. BLUE MOON .::.


Autor desconhecido

Blue moon,
you saw me standing alone
without a dream in my heart
without a love on my own.

Blue moon,
you knew just what I was there for
you heard me saying a prayer for
somebody I really could care for.

And then there suddenly appeared before me,
the only one my arms will ever hold
I heard somebody whisper, "Please adore me."
and when I looked,
the moon had turned to gold.

Blue moon,
now I'm no longer alone
without a dream in my heart
without a love on my own.

Lorenz Hart / Richard Rodgers


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Sexta-feira, Março 20, 2009


.::. EROS FERIDO .::.


William Bourgueau

Uma abelha se escondera na rosa. Eros aproximou-se da flor, desejando colhê-la. De súbito, a abelha voou e foi picar o dedo do pequeno Deus. Com a mão dolorida, ele correu em direção à bela Citeréia, gritando:
- Mamãe, estou perdido, estou morto. Uma serpente de asas me mordeu. Creio que foi uma dessas serpentes que os trabalhadores chamam abelhas.
Pondo-se a rir, Citeréia respondeu:
-Se o aguilhão da abelha é tão cruel, que dirás dos sofrimentos que inflige a picada de tuas flechas?

Trecho de epigrama amoroso da antologia grega compilado por A. Ferdinand Herald


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Sexta-feira, Janeiro 23, 2009


.::. PERDER-SE .::.

O ano pingou suas últimas gotas e com elas se foram, em quase sintonizada partida, o acesso a este meu pequeno bangalô de bambu e a todas as minhas fotos de 2008 .

Perder aquilo que se tem guardado por carinho, costume , ou seja lá quais forem os motivos que nos fazem empilhar nossos olhares, palavras e expressões , nos deixa em suspensão, atônitos e tristes. Entre os perdidos ( e o mais sentido ), um retrato meu feito por minha mãe, ao acaso, no Retiro das Rosas em setembro , no nosso último aniversário ( filhas que somos de um único dia ) . Ela simplesmente aprendia a manusear a câmera digital e captou uma beleza amorosa e impar, que para minha surpresa, habita em mim.

Por que é tão difícil o desapego do que já passou?

Às vezes nem damos atenção devida às pequenas coisas, breves momentos, pensamentos ou sentimentos avulsos, mas só o fato de não tê-los à vista ou sob a nossa egoísta posse nos deixa inexplicavelmente vazios e solitários.

Recuperei em parte o “bambuoco” e algumas outras fotografias, mas não a sensação, e o consolo, de que o “presente” , dádiva única, fugaz e passageira, não se guarda, somente se abre e vive. Só se perde aquilo que se teve/viveu, e na verdade não é uma perda, permanece tatuado em nossas células enquanto respirarem vida . O aprendizado, infelizmente, é de certa forma contínuo e dolorido.


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Domingo, Novembro 23, 2008



Joel Sartore

Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta -
Seria. com certeza, um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas,
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.

Manoel de Barros


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Domingo, Setembro 28, 2008


.::. T(RENS) .::.

Era uma vez uma moça que depois de terminar as aulas de um curso decepcionante pegou uma mochila e começou a andar por aí, até que a responsabilidade soou alto e ela resolveu que tinha que voltar . Certo T(rem)C(orria)C(élere) pra chegar à estação e apitava longe se fazendo ouvir. O tempo urgia.

Como não encontrou ninguém pelas bandas da estação , meio a contragosto e resignada , ela bateu na porta de um moço que lhe fora indicado. Nas mãos um papel chocolate meio amassado , usado , remendado com frases tomadas ali e acolá . Era parte da documentação e do material necessário para se partir no T(rem) e alguém precisava inspecioná-los e aprová-los.

Tão logo o moço viu o envelope por debaixo da porta já abriu a janela e espiou lá fora chamando a moça para entrar .

Ela sentou-se contrita e meio envergonhada, surpresa com a acolhida e a boa vontade , enquanto ele , na mesa, desamassava aos poucos o papel com as mãos ao mesmo tempo que ia fazendo suas considerações e anotações. Ao contrário de outros, não ficava só repetindo o que lia enquanto olhava para o lado . A postura dele tinha um tom diferente do que ela estava acostumada, um certo idealismo, uma curiosidade, suas palavras eram firmes , atentas, além de acenarem com outras paisagens, novas experiências e trocas que ela intuía existirem , mas que até então não tinha encontrado .

Praticamente todo o dia ele abria a janela e a convidava a entrar para que acabasse de preparar seu material de viagem . Numa caixa de madeira que guardava sob a cômoda do escritório ele guardava agulha, linha, cola, tesoura, bússola, mapas, material de desenho , decalques, papéis coloridos, recortes , fotografias, livros e discos . Quando ela chegava alguma coisa sempre estava separada na mesa . Era só sentar-se no chão, no tapete, espalhar tudo em volta e exercitar-se sem tempo nem hora . Um bordado, uma colagem , uma leitura em voz alta, uma anotação no caderno de notas, uma busca num mapa que ela não conhecia ... enquanto ele ficava ali por perto , acompanhando, sugerindo algo ou apenas em silêncio observando.

Mais o T(rem) continuava apitar ... O que fazer ? Correr para estação ou ficar ali ?

Um dia ela correu para a estação . Ansiedade? Costume, talvez . Olhou em volta e pensou que estivera ali por tanto tempo só se preocupando com horários, com o entra e sai , vendo os mesmos T(rens) passarem automaticamente um a um e daí ? Eles passavam e ela continuava no mesmo lugar , parada , inerte e triste.

Só então percebeu finalmente que não se importava nem com a estação nem com os T(rens), gostava mesmo era de viajar à pé , misturando-se à paisagem, apreciando novos lugares, quaisquer lugares, seus cheiros e cores, fazendo patchworks e scrapbooks sem muito compromisso em cada parada pelo caminho... ouvindo histórias e entrelinhas, criando histórias e entrelinhas ... e em boa companhia.


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Domingo, Setembro 14, 2008



Charles C. Place

Flor de ir embora,
É uma flor que se alimenta
Do que a gente chora.
Rompe a terra, decidida,
Flor do meu desejo
De correr o mundo afora.
Flor de sentimento
Amadurecendo, aos poucos,
Minha partida.
Quando a flor abrir inteira.
Muda a minha vida.
Esperei o tempo certo.
E lá vou eu, e lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
E agora, esse mundo é meu.

Fátima Guedes


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Terça-feira, Setembro 09, 2008


.::. NUDEZ .::.


Gian Franco

Estado de Terra virgem
Completude
Presença
Liberdade
Coração pulsa na pele
Vida
Respira
Arde


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Sexta-feira, Setembro 05, 2008


.::. HABITAT .::.


Gerson Sobreira

Tudo estava diferente . Os espaços se multiplicaram como se uma enorme fenda tivesse sido aberta e algo extirpado. Os olhos não davam conta da imensidão. As árvores completamente despidas realçavam o contraste da paina branca contra o fundo azul . Em meio ao vazio um pequeno círculo de contornos irregulares se equilibrava, frágil na aparência , mas resistente às intempéries do tempo . Não o havia percebido antes sob a proteção da antiga folhagem, mas estava lá . O aconchego de um lar que foi sendo (re)construído devagar e mantido pacientemente sem alarde, no silêncio e na cadência dos dias e estações. É assim, depois dos invernos , que brotam e florescem as primaveras ... e os corações .


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.::. Eco d´alma .::.



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.::. Par .::.


pandaandando

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.::. Eu sou .::.




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.::. Ecos solidários .::.


Colabore. Os anjos da Aldeia precisam e agradecem.


Colabore. As crianças agradecem . Contato com a instituição pelo telefone : (31) 3598.1811


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Colabore


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.::. Eco de cor .::.


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