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Domingo, Maio 30, 2004




Ela é uma criança que gosta de desenhar e pintar. Fala de forma desenvolta sobre arte, Miró , Picasso e guarda em caixas imaculadamente organizadas seus tesouros : os lápis de cor e a aquarela.

Em um concurso de arte infantil promovido pela ONU ganhou o primeiro prêmio . Seu desenho era uma menina bem pequena em meio a enormes flores. Questionada sobre sua "obra", respondeu do alto de seus 4 anos, com convicção : " Sou pequenininha diante da natureza".

Bom, podemos dizer que é coisa de criança, mas prefiro acreditar naquela tal "sabedoria".


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Terça-feira, Maio 25, 2004


.::. NÓS SEM PONTO .::.

Nunca tive medo de agulhas, confesso, tenho é pavor, comedido e controlado , mas pavorrrr. Foram muitas as razões desagradáveis que me levaram a este ponto : uma coleta de sangue desastrada que deixou marcas no braço, os dentes de leite extraídos com anestesia, à força, pois a maioria deles não caiu naturalmente, injeções de benzetacil dia sim dia não durante um tratamento de reumatismo infeccioso, etc, etc, etc...

As agulhas sempre foram onipresentes , ainda que na cestinha de costura .Lembro-me aterrorizada da primeira vez que tomei conhecimento da acupuntura e imaginei as pessoas se sujeitando espontaneamente àquela "tortura" , Embora com arrepios na coluna, acredito que incômodos recorrentes acabam trazendo uma oportunidade de aprendizado, portanto , "elas" têm muito a me ensinar.

A ignorância, nossos medos e nossas experiências anteriores nos fazem vez ou outra julgar algo sem antes conhecermos , e este nosso pré-julgamento nos impede de nos aproximarmos e de fazermos novas descobertas, o que é uma pena e uma perda. Crianças birrentas fazendo pirraça.

Nas voltas da roda da vida acabei estudando massoterapia terapêutica e passei a conviver diariamente com as práticas milenares da medicina chinesa e seus instrumentos, inclusive as tais agulhinhas. A convivência mesmo que indireta foi abrandando meus temores e mudando meus antigos pré-conceitos.

Iniciei recentemente um trabalho de resgate de mim mesma : massagem, fitoterapia, florais e... acupuntura. Eu e meu corpo precisamos de carinho e atenção e vejam só "quem" anda nos proporcionando isto delicada e refinadamente , as tais "agulhinhas", outrora temidas .

Agora suspiro profundamente e a lembrança quente e revigorante da artemisia (moxa) impregna o ar e o ser.


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Domingo, Maio 23, 2004




Saturno com seus anéis
superpostos no silêncio
da noite azul-violeta.
Scorpio ascendente. Antares
- uma brasa no peito.

As brisas se elevam
na conformação dos seres.
No espaço não adeja
uma nave ou pássaro?

Voe. No momento é voar.
Onde estarão as asas
postas para duvidar?

Espaço azul,
vôos violetas,
Seres alados dos anéis de Saturno.

Os animais cujos pêlos
possuem a energia da solidão
desfiam vagas intenções
através dos desfiladeiros.

Lado a lado voam,
pulam escamas, restua púrpura
ata lúdico abraço nos espaços.

Na fronte azul,
a lua de prata que brilha
e alta a noite se perfuma de estrelas.

Imponentes seres
existem na lua
no sonho obscura,
uma face mole,
outra face dura.

Saturno, noturno
dos gélidos anéis,
no silêncio da aurora e de uma estrela,
contemplai o subir das criaturas.

Mas do vôo ninguém entendeu.
nem mesmo o que tinha a brasa no peito aberto; nem eu...

Protovision, J.Kleber, Redwolf.


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Terça-feira, Maio 18, 2004


.::. PAT .::

A gota companheira e ainda úmida insiste em comprimir o peito ...

Um suspiro a levou ontem deste plano físico tal como o conhecemos. Ela sabia que não retornaria quando seguiu mais uma vez para o hospital . Disse a titia que sua viagem chegaria ao fim. Seus 36 anos sempre foram marcados pelo lupus e seus e efeitos devastadores. Alguns tem um aprendizado árduo, ela o teve e ele enfim se completou.

O que me dói não é sua passagem, mas a solidão profunda pela qual ela passou no CTI onde consciente de sua condição e extremamente carente e frágil implorava pela presença dos que amava.

Lembro-me que embora divinos e parte do uno que nos ensina, fortalece e ampara , nada mais somos do que crianças-poeira, ora na condição de perdidos, ora na condição de achados. Sigo meu aprendizado assim meio perdida enquanto ela já se encontrou , então choro por mim e sorrio por ela.

É tempo de purificarmos nossa tristeza com as lágrimas que vão preparar o canteiro de nossas lembranças, as lembranças de alguém que por um breve momento compartilhou conosco sua luz doce e única e que permanecerá iluminando e aquecendo nossa saudade .

Agora ela renasce plena onde vivemos eternamente, no coração dos que amamos, naquele lugar que não pode ser tocado com as mãos, não admite separações e muito menos solidão, o lugar encantado que volta a se completar com nossa "parte Patrícia" . Seja bem-vinda minha querida prima, nestes nossos corações.


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Domingo, Maio 16, 2004





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Quinta-feira, Maio 13, 2004


.::. BILROS .::.



Os olhos de repente foram fisgados para o alto e lá permaneceram hipnotizados durante algum tempo . As pupilas ansiosas saltitavam pela delicada trama.

A sensação era inebriante e divertida como quando brindamos com champagne e ficamos ali acompanhando as bolhinhas se deslocando na taça. Só que esta era uma taça gigante e as bolhas, rendas brancas quase transparentes espalhadas por todos os lados, indo e vindo.

Sozinha comecei a rir e a pensar que alguém num rompante inspirado decidiu simplesmente festejar e para isto estendeu uma imensa toalha bordada sobre a abóbada. E que toalha!!! Um fundo turquesa vivo coberto por pequeninas teias brancas entrelaçadas .

Tenho que confessar que a isca-convite do meu anfitrião foi irresistível : um céu azul celeste totalmente rendado em fios de nuvens.

E ali , por breves instantes , eu e "ele" brindamos à vida e alegremente fizemos nossa festa particular.


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Segunda-feira, Maio 10, 2004


.::. CARTA A UM PRIMO .::.


Gledson Amorelli

(...) você tem passado por maus momentos e não serão os únicos e os últimos, afinal, um mundo cor-de-rosa sem obstáculos e provações está preso e emoldurado em nossos sonhos de criança e longe de ser a realidade do dia-a-dia. Entretanto, ainda bem que ele existe, utopicamente (será ?) como um ponto distante a se alcançar, a se almejar. Afinal, quem explica o que é viver?

Aprendi, ou pelo menos tenho a firme convicção de que somos um só, um todo universal, inabalavelmente unidos por teias misteriosas de encontros e desencontros, passos e quedas, com um por quê , uma missão. Esta missão nos é reservada e ao longo de nossa jornada cabe-nos descobri-la e nos empenharmos para cumpri-la, senão, ao menos tentar.

Algumas coisas me lembram você: o cheiro de tinta, a pintura onírica, os cavalos alados, os vermelhos cheios de vitalidade, a força , o lirismo, terras e sentimentos sem fronteiras, livres e expressos , e um comentário feito pela Maria certa vez, de que em nossa família, seríamos você e eu , "uns sem juízo", nas palavras dela.

Nunca compreendi bem o que ela quiz dizer , mas se o fato de adorar experimentar, buscar por emoções genuínas, novos olhares, novas perspectivas, embrenhar-se pelo desconhecido, pela natureza, fugir de padrões, ultrapassar limites, descortinar infinitas respostas para infinitas perguntas, enfim, o simples prazer de sonhar e ir além, bem, se isto for ser "sem juízo", acho que realmente não o tenho e muito menos você.

Sua arte diz um pouco de tudo isto e mais ainda, uma capacidade lúdica de externar em cores e formas um mundo e um sentir tão intraduzível, mas cheio de vida e de significados.

Sei que cada um recebe seu quinhão. Ainda procuro o meu , mas levo pintado nos olhos , na alma e nas minhas veias, uma gota daquele que é indubitavelmente o seu. (...)


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Sexta-feira, Maio 07, 2004



Jason Pollock

Ando inquieta e absorta.
Não há lugar que me comporte.
Transbordo continuamente
e me espalho sem direção.
Me misturo, mesclo sentidos
e desejos, atabalhoadamente
embaralho a realidade com anseios.
Escorro disforme por vias sem limite
buscando contenção e
encruzilhadas sem escolhas.
Um emaranhado realçado por
cores fortes, disconexas,
sem partida ou chegada.
Apenas pulsante , viva, confusa
e só ... carente de mim.


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Terça-feira, Maio 04, 2004




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.::. Eco d´alma .::.



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.::. Par .::.


pandaandando

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.::. Eu sou .::.




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.::. Ecos solidários .::.


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Colabore


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.::. Eco de cor .::.


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