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Terça-feira, Setembro 28, 2004




Mírame, com la
magia de tus ojos
Bésame, com el
fuego de tus labios
Quiéreme, com tu
vida que és mi vida
Mírame, bésame,
quiéreme

Ernesto Lecuona


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Sábado, Setembro 25, 2004


.:: O CORVO .::.



A yoga tem sido uma prática constante nestes últimos 14 anos. Ela me proporciona flexibilidade, equilíbrio, um bem estar e um prazer enormes. Meu corpo e meu ser se reconhecem em asanas, pranas, mudras e mantras como num caminho já percorrido em outro tempo e espaço. Embora tenha facilidade para executar a grande maioria das posturas, algumas sempre considerei "proibidas", pois me julgava incapaz.

Durante a estada no Maranhão um desejo se instalou em mim: o do retorno à prática regular deixada há tempos atrás. Foi o que fiz imediatamente ao chegar.

Na última quinta, dia 23, algo abalou minha antiga e errônea crença. O "corvo" ( kakasana - a postura do corvo ) veio me resgatar. Simplesmente lá estava eu pela primeira vez num asana impessável, equilibrada em minhas recém descobertas asas. Senti a magia me inundar e acender cada uma de minhas células.

É chegado o tempo da coragem, da mudança , da elevação da consciência, da busca das respostas e o de trilhar a viagem do Grande Mistério.


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Segunda-feira, Setembro 20, 2004



Thelma Cruz .::. set/2004 ©

Obrigada ao Sol da minha vida
Por cada crepúsculo
Por cada renascer na aurora dos meus dias
Pelo presente da Vida que respira no meu corpo e e através dele
Por este Bambu que trouxe a Luz de cada um de vocês
Pelo Carinho que compartilha e ilumina o caminho
Por mais um ciclo ...

Aos que deixaram marcas " luminosas" nestas areias festivas ...
Carinhosamente, obrigada !

...espia ali "dentro" um tiquinho ...


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Quinta-feira, Setembro 16, 2004


.::. DIVINA AREIA .::.

Céu ... um estado de "completude" e gratidão, sensação de horizonte sem limites exalando pelos poros, pelo olhar e pelas palavras em coro com o Universo acolhedor e exuberante. Ali, caminhando numa imensidão de dunas de areia, banhando-me em lagos turquesa e esmeralda, com águas límpidas e tépidas repletas de peixes e maçaricos brincalhões, o desejo é de apenas seguir em frente, ir além, buscando novas dunas, novos lagos, novas possibilidades, novos caminhos, indo, indo...

O corpo pede dança e marcas no chão, pede quietude e silêncio, maravilha-se, expande-se e a todo instante, bendiz. A alma se compraz, se liberta e voa alegremente acompanhando os grãos de areia na criação constante e imprevisível de esculturas-dunas moldadas suavemente pela brisa, formando cortinas de seda esvoaçantes, num balé cadenciado.

Somos novamente Um Sagrado se reencontrando. Cada momento emoldurado por um azul profundo que vai dando lugar ao dourado fulgurante, ao rosa bem suave e finalmente ao branco transparente. A paz sendo tocada e compartilhada por sete espíritos que marcaram dia, hora e lugar para se conectarem outra vez numa benção . Somos todos um pouco do que vivemos e relembramos naquele dia, um dia de deslumbramento, emoção, lágrimas e para sempre tatuado na lembrança.

Os lençóis eram maranhenses, mas no fundo apenas uma de minhas muitas moradas revisitada. Uma morada com sabor de água doce e salgada, coberta de estrelas na despedida da lua, embalada por uma rede na varanda, com cheiros de entardecer e de amanhecer onde se podia beber água de coco a cada respiro, comer caju no pé e castanha torrada na hora, entrar e sair de buracos numa toyota 4x4 e sorrir a cada solavanco qual criança numa montanha russa. Deslizava-se sem pressa num rio que convidava à preguiça e a contemplação de matizes de verde e azul quebrados por uma revoada de guarás vermelhos, dunas escondidas, farol , mar, (sor)risos soltos, conversa ao pé do ouvido, recordações da vida que foi, consciência da vida que é, e o sonho deixado em aberto da vida que será. Banho de rio, de mar, banho de areia, de poeira, banho de natureza, banho de querer voltar .

Ali, pede-se emprestado asas e sobrevoa-se uma amplidão com inveja dos pássaros e com certeza do "agora" que é um paraíso com nome e sobrenome tão a mão, tão real ; depois, coloca-se o pé na estrada e então uma paradinha para se refrescar no riacho e ouvir os cochichos carinhosos da mãe natureza sentada debaixo de uma árvore. À mesa, alimento às vezes colorido, farto e sofisticado e, às vezes, simples num ambiente aconchegante com os pés no chão, onde se partilha a comida cultivada e preparada com desvelo por mãos calejadas. Na noite, um forró à meia luz na beira da piscina, pés marcando a areia sem destino gastando o tempo que insiste em não passar ou apenas "pro ar", e na manhã, o despertador sol no rosto, com os olhos se abrindo e vendo o infinito rodeado por coqueiros ...

Sim, aqueles passos em caminhos de areia, de azulejos, de janelas e sacadas, com cores, lembranças e história, levaram-me de volta aos meus que lá estiveram antes de mim e que deixaram um "mapa" impresso correndo neste sangue. Ouvi a saudade e hoje mais uma vez, sou vida reabastecida, interligada e pulsante. Agora, aguardo ansiosa outro convite para entregar-me sem reservas ao Vento e ver renascer no ventre, força e brilho solares, plenitude .

Acho que preciso de um beliscãozinho. Despertei e não gostaria de dormir novamente...rs.


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Quinta-feira, Setembro 02, 2004



Joel Sartore

Se um dia
saio a dizer
o que me vai na cabeça
muitos irão se espantar
( alguns vão até estranhar )

Mas na verdade eu teria
uma história a revelar

E o resumo seria
um aqui jaz
elegia
ou canto a enaltecer
a tal de vida
( promessa )
meio sem eira nem beira
meio sem voz
( de coleira )

Com a dona desta vida
arrematando seus cantos
como faz a bordadeira
( para o pano não rasgar )

Eliana Mora


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