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Domingo, Outubro 31, 2004




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Segunda-feira, Outubro 25, 2004


.::. FIOS .::.



A poeira insiste em não querer abaixar... e em meio a ela leio algumas palavras creditadas a Hélio Pellegrino por ocasião da comemoração dos seus 60 anos, lá pelos idos da década de 80.

"Valeu a pena. Investi na amizade, no capital erótico e não me arrependo. A salvação está em você se dar, se aplicar aos outros. A única coisa não perdoável é não fazer. É preciso vencer este encaramujamento narcísico, essa tendência a uteração, ao suicídio. Ser curioso. Você só se conhece conhecendo o mundo. Somos um fio desse imenso tapete cósmico. Mas haja saco!"

A "tempestade" aqui anda me deixando estacionada naquela última exclamaçãozinha, e os nós vão se embaralhando , se embaralhando ... só uma tesoura dá jeito.

Que caminho árduo para se tornar um autêntico persa, não ?


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Sexta-feira, Outubro 22, 2004


.::. TOTEM .::.


Frans Krajcberg

Naturezaprimitiva
Espíritoancestral
Forçaeternamenteviva
" Pai "

Saudades ...
Sua "Filhota", sempre

Aos que , encantados, partiram no coração de outubro


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Quarta-feira, Outubro 20, 2004


.::. JABUTICABA .::.



Sentada com uma bacia repleta de jabuticabas sobre o colo, fiquei imaginando inúmeros olhinhos pretos me fitando. Nenhum era igual ao outro : tamanhos, cores, formas e conteúdo distintos . A cada mordida, ora sentindo um gosto doce, ora um gosto amargo, começei a pensar que embora tenhamos uma idéia de qual seja o sabor de cada uma delas , certeza mesmo só teremos depois do característico "ploc" feito pelos dentes e que todos conhecemos tão bem . Dentro de cada um daqueles olhinhos existia num primeiro momento "vida", uma "vida" que deixava a fruta viçosa , com brilho e sabor peculiar , e depois que esta "vida" era sorvida , amarga ou docemente, apenas uma casca inerte e murcha restava.

Assim foi com Daniel, um garoto de 14 anos que sofria de leucemia. O conheci através do pai num bate-papo, na época em que fiquei com o tornozelo imobilizado . Desde então acompanhei sua trajetória, eu e alguns outros que embora nunca tenham se conhecido pessoalmente, se reuniam com o coração e a alma uma vez por semana, cada um com sua crença e disponibilidade, em nome dele e de toda vida .

Estes olhinhos encantados adormeceram , mas o "grande e insondável pé de jabuticabas" continua florindo a cada estação, só que agora todo ele impregnado com um gostinho especial , gostinho de Dani.

Um fruto se foi, uma semente permanece ...


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Domingo, Outubro 17, 2004


.::. X .::.

Não sou supersticiosa embora acredite que alguns sinais ao se repetirem com certa frequência devam merecer, no mínimo, um olhar mais atento.

A relação que tenho com "o" décimo mês se encaixa nesta teoria.

Nele vão se contabilizando com o passar dos anos minhas maiores perdas, meus maiores sofrimentos, minhas maiores dores, meus maiores medos, minhas maiores provas, minhas maiores dúvidas e meus maiores questionamentos.

Outubro está sempre a postos para testar meus limites e equilíbrio, minha força e coragem, minha fé e crenças, a compreensão da morte e da vida e acima de tudo, meu comprometimento, postura e escolhas diante deles.

E fico cá divagando e matutando o que "las brujas" dispersas em cada um destes 31 dias têm insistentemente tentado me ensinar ...


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Domingo, Outubro 10, 2004




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Terça-feira, Outubro 05, 2004


.::. ASAS ? .::.


Michele West Morland

Ultimamente tenho falado e pensado tanto em vôos, asas, ventos e horizontes sem fim, que hoje olhando para o meu corpo questionei onde estariam minhas "penas", como seriam minha plumagem, minha envergadura, meu habitat, enfim, que tipo de pássaro ou ser alado seria.

Acho que escolhi estes braços, pernas, pele e pêlos para experienciar a "Terra" que via sob outro ângulo, tendo sempre presente na lembrança os desejos e a essência de outrora.

Sempre adorei estar nas alturas, sentir espaços amplos e sem limites, ser envolvida por brisa, respirar liberdade, interagir com os elementos... e como as aves que migram e nunca se esquecem do lugar, da vida e dos seus hábitos de origem, assim devo ser eu, recordando-me de um tempo ancestral e primitivo, um tempo alado que insiste em emergir e me observar.


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