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Quinta-feira, Janeiro 27, 2005


.::. COM A BRISA .::.


Zhou Xianji

A tarde suspira uma brisa leve e traz consigo um pequenino pardal. Ele voa pela fresta da janela e pousa no tapete. Sentada no quarto ao lado vejo-o se aproximar em saltinhos curtos. Como um velho amigo sem cerimônias me encara resoluto. Sou eu quem ele procura.

Um pensamento vem a mente: "não renegue suas asas". Surpresa olho em sua direção . Naquele instante ele voa até a grade da janela . Ali vira-se, me olha de soslaio, balança o bico e segue novamente com a brisa. No ar um rastro de carinho.


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Domingo, Janeiro 23, 2005



José Pancetti

A caixa de música emudeceu
Os fios foram cortados e a dança cessou

Em paredes frias num canto sem cor
Repousam inertes lascas de madeira

A monocórdica solidão ecoa
Retendo fantasias e sonhos em suspensão

Serragem largada no chão do peito
Atmo de vida nas mãos do tempo


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Quinta-feira, Janeiro 20, 2005


.::. EXPRESSÃO VIVA .::.

Dois "p"s, dois aprendizados - palavras e pessoas.

As palavras precisam ser arrancadas de mim, e cada uma dita ou escrita deixa um sulco de sangue, uma marca. È certo que um bom português aprendido nos idos tempos tornaria estas extrações mais suaves. Contudo, este não é o maior obstáculo que enfrento, mas a expressão, minha algoz. A verdadeira expressão não pode ser controlada, ela flui naturalmente, e pede que se seja transparente, aberto e objetivo. Entretanto, guiada pelos meus perfeccionismo e subjetividade, tento enquadrar a expressão, dar-lhe forma, ocasião, conteúdo e beleza, e peco no que importa: simplesmente trazer à tona o que sinto.

Já as pessoas, deixo-as a uma distância que acredito ser segura, não me envolvo e nem me comprometo. Sou perita em "ilhas" e atitudes de polidez diplomática que quase beiram à indiferença. Temo descobrir e aceitar nos meus próprios olhos e nos olhos dos outros o meu reflexo, seja ele sombrio ou iluminado. E se instala a covardia silenciosa.

Talvez me falte um "p" essencial. A paixão destemida de semear e colher o que realmente eu sou, expressão viva, imperfeita e divinamente única.


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Quinta-feira, Janeiro 13, 2005


.::. PEDRA BRUTA .::.


Corbis

Amor de quem cuida não tem férias e muito menos folga. Não (des)cansa. Não pode ser contado nos dedos, medido no espaço ou expresso por instrumentos . Não tem prazo de validade e nem contrato assinado. Não vem com legendas ou placas, mas tem mão dupla, forte e terna. Não tem tecla sap ou manual, mas se traduz em descobertas diárias: olhares, lágrimas, sorrisos e pequenos gestos. Sofre na pele e acarinha na alma . Não se sabe de onde vem, (se) inspira e não se entende, lapida-se. Depois que brota , vive e brilha. (In)definido sentido.


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Domingo, Janeiro 09, 2005




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