Bambu Oco

.::.


.::. Livro de visitas .::.



.::.


.::. Conexão .::.


Seu nome

Seu site

Seu e-mail

Sua msg / comentário

.::.


.::. Arquivos .::.


Ecos anteriores


.::.


.::. Inspiração .::.


Pensamentos Imperfeitos

Papaya com cassis


.::.


.::. Créditos .::.


Powered by Blogger



BRAVENET

COMENTAR


.::.




Segunda-feira, Julho 07, 2008


.::. NOVELO .::.


Alamo Kario

Repouso de lã
Linha azul celeste
Inverno borda


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Sexta-feira, Julho 04, 2008


.::. A VITÓRIA SOBRE O ANJO.::.


Alexander Louis Leloir

Sei o que experimentou Jacó ao duelar com o anjo. Enfrentei-o quando aos meus pés faltou chão e, no horizonte, o sol se apagou aos meus olhos. A escuridão invadiu-me: primeiro engoliu as pernas; em seguida, os braços; depois, todo o meu ser. Por fim, dragão insaciável, tragou-me a identidade.

(...) Não há sofrimento maior do que perder-se de si torturado pelo esplendor da lucidez.

(...) Deu-se então o início do meu aprendizado. Primeiro, a consciência de que era preciso fazer a travessia. Às cegas. Jogar-me no rio sem a menor noção de quão distante se encontrava a margem oposta. Caminhar rumo ao plexo solar. Desatar os nós. Mergulhar naquele abismo infindável, atirar-me do trapézio com os olhos vendados, empreender a ousada viagem no rumo da morte, apoiado apenas por um fio de esperança: do lado de lá me aguardava, não a morte, e sim a plenitude da vida.

Caminhei na senda escura entre escorpiões e escaravelhos, aranhas e lagartos, a mente assaltada por fantasmas que, nela, suscitavam desde as mais pavorosas fantasias ao hedonismo desenfreado. Desprendida da alma, a imaginação se ensoberbece e cavalga, alada, o carrossel da luxúria. A razão desalinha, as idéias esvoaçam, os propósitos atolam-se na lassidão do espírito fenecido.

É preciso pôr-se de joelhos e, reverente, escutar o silêncio. (...) Mas isso custa. Isso é inesperado, indescritível, mistérios dos mistérios. Para chegar lá, urge amansar leões, enfrentar dragões, conviver, destemido, no ninho das serpentes. E saber perder. Vão-se as ilusões, as máscaras; vai-se aquele outro que insiste em se disfarçar de eu. No fogo tímido da lenha úmida, todas as falsas verdades são lentamente queimadas. Então, instaura-se a nudez. É a hora da vertigem.

(...) Havia, porém, um outro fator que só percebi ao perder de vista a margem que deixara sem, no entanto, vislumbrar a oposta. A queda transmutou-se em ascensão; o abismo, em montanha; a vertigem, em enstase. (...)

O anjo depôs armas, afastou-se da porta do Éden e deixou que Ele se me apossasse. Fiquei visceralmente apaixonado. Tudo em mim e à minha volta transluzia amor. E nada me atraía mais fortemente do que perder tempo na alcova. Outra coisa eu não pensava nem queria ou desejava do que sentir-me abrasado de amor. As entranhas queimavam; o peito ardia em febre; a mente, calada, observava a razão tragada pela inteligência. Eu me encontrava em alguém fora de mim que, no entanto, se escondia no recanto mais íntimo do meu ser e, de lá, projetava a sua luz sem se deixar ver ou tocar.

Frei Betto


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Segunda-feira, Junho 30, 2008


.::. UM EM DOIS .::.

Ele, Antônio. Ela , Nair. Um casal de recém casados , como ele gosta de lembrar e ressaltar. Adoram a privacidade, o prazer da vida a dois e por isso moram sozinhos.

O passo de ambos é ritmado e harmonioso e não há pressa, pois importa que cheguem juntos, lado a lado, seja qual for o destino.

Os olhares brilham, sorridentes e cúmplices, prescindem de palavras. A intimidade cria o Verbo. Não se separam nem quando , no escuro, uma vela precisa ser acesa. Um sai à frente e o outro imediatamente o alcança, e os dois tornam-se um a luz do outro, até que o fogo da visão se restabeleça.

Se encantam com a vida, bem humorados se aceitam, se respeitam profundamente e se acarinham sem pudores ou vergonha, rindo e cuidando um do outro a todo instante.

Ele , Antônio, 90 anos . Ela , Nair , 86 anos e há 66 são uma prova viva que o Amor não é uma ilusão de folhetim, um verso vazio de um poema romântico e sim, uma construção diária de dois seres que são o que são e principalmente, se querem bem .

Ele tem uma enorme cicatriz bordada no peito. Fico imaginando que talvez o coração só tenha mesmo serventia se puder bater livre e amorosamente em/com outro peito companheiro (re)encontrado pelo caminho.


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Quinta-feira, Junho 26, 2008


.::. MY BLUEBERRY NIGHTS .::.


Autor desconhecido

Suspensas no ar as cores quentes dos sentimentos. Sensações saturadas seguem ignoradas e presas em chaves esquecidas. O embate contínuo na impossibilidade de realização dos desejos. Conta-se o tempo e as distâncias para se atravessar a rua, aquela, na qual absolvidos, nos condenamos novamente a amar.

E se pode ouvir ao longe, numa esquina qualquer , numa cidade qualquer , num coração qualquer, a melodia rouca de Norah Jones ... The Story .


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Terça-feira, Junho 24, 2008




.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Domingo, Junho 22, 2008


.::. NÓS - EU, O BAMBU, ELE E VOCÊS .::.

Misturei-me à Terra amada com mãos nuas como há muito não fazia. E assim nos reencontramos e conversamos ... sol amornando a pele, o vento assoprando galhos despidos, o balé de nuvens pintando o céu , a balbúrdia de asas e pios, o solo seco crepitando , verdes esparsos e as raízes emaranhadas e expostas.

Afastei-me eu sei, ainda não aprendi a acarinhar as sementes que brotam naquela terra selvagem e indômita que pulsa dentro do peito. São 5 anos apenas, criança inexperiente ainda tateando novos e desconhecidos canteiros , mas confio e acredito , farei e verei essas sementes florescerem ... nós , com certeza, as veremos.

É o aprendizado da vida , é o aprendizado do tempo .

( Pai , uma vez mais, este é o "nosso presente" )


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Terça-feira, Maio 20, 2008


.::. VERA CRUZ .::.


Thelma Cruz

No sábado a dúvida : o que fazer no último dia em Madri ? Uma breve olhada no calendário e a resposta : domingo , dia 4 ... destino marcado. O dia amanheceu claro e frio . Segui viagem .

Pela manhã, a sabedoria mística de Santa Tereza de Ávila e de São João da Cruz guardada pelo vôo baixo de alvas cegonhas e das silenciosas e belas muralhas de Ávila . Depois, a mágica Segóvia , adornada pelo imponente aqueduto romano datado de finais do século I onde cheguei no início da tarde .

Tocada pelo passado, e seguindo a indicação de um amigo, procurei informações sobre a Iglesia de la Vera Cruz, supostamente erguida pela ordem dos templários em meados do século XIII. Ficava do lado oposto da cidade após uma longa caminhada. Tinha pouco tempo, mas por quê não tentar ?

Guardei o mapa e meio hipnotizada fui seguindo as “calles” onde quer que elas me levassem . Ao chegar ao Alcázar, final da trilha. Ao longe, avistei a Iglesia. Só voando, pensei , mas não era esse o único caminho. Havia um atalho e comecei a descer a montanha, entre pedras, cascalho , vegetação verde e o canto de pequenos pássaros negros .

Lá embaixo perdi a Iglesia de vista e quando vi rumava para o Monastério del Parral. Dei meia volta , ouvi e segui o rio, e lá estava ela, uma pequena construção de pedra à beira da estrada. Estava fechada , e só abriria ... às quatro horas .

Sentei-me entre as pedras, e ali , sozinha , toquei-as e pus-me a dialogar em voz alta com o tempo sem tempo envolta em brisa e azul . Agradeci a acolhida, o “presente”, entreguei-me , pedi pelos que amo e por nossos caminhos, nem sempre seguros e claros, e às vezes tão tortuosos. De repente, trovões me despertaram . Os olhos se abriram e o céu se pintara de cinza e foi escurecendo rapidamente .

Despedi-me com tristeza pela interrupção brusca. Apertei o passo , afinal , subir a montanha com chuva não seria fácil . Teria que fazê-lo antes disso. Lá em cima segui rapidamente para a Catedral em busca de abrigo . Com o corpo em chamas , assim como o coração, entrei. Choque térmico. Imensidão, meia luz , frio e beleza. A pulsação foi se amainando.

Música suave e cheiro embriagante de incenso capturaram minha atenção . Meus olhos , ouvidos e olfato não conseguiam localizar a origem , mas meus pés sim , tanto que rumaram em direção à uma enorme e pesada porta de madeira fechada . Toquei-a, assim como as pedras anteriormente. Senti o tempo. Experimentei a fechadura e entrei . Era a Capela do Santíssimo Sacramento. Fui banhada por silêncio e luz.

Ao passar pelos bancos , um movimento se fez. Um pequeno pedaço de papel “voou” para o chão. Inclinei-me , tomei-o nas mãos e ouvi : “Fijo em ti los ojos, seré tu consejero, te mostraré el camino a seguir". O coração disparado imediatamente transbordou repleto de Amor. De mãos postas ajoelhei-me e agradeci enquanto lia “Que el Espiritu ilumine nuestra mente y corazón, para entender y comprender mejor sus caminos.”

Era hora de sair da Catedral, da casca... enfrentar o que quer que encontrasse lá “fora” com confiança e alegria. O choro da Mãe Terra delicadamente tocou minha alma, pele e olhos. Chuva fina e mansa me aguardava. Bençãos de Amor em pingos sutis . Fragmentos resgatados de uma atemporal e misteriosa magia que carrego encravada em meu próprio nome , Cruz , e uma certeza ... sou Uno, sou Amor e principalmente, sou amada.

04 de maio de 2008


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Quarta-feira, Abril 30, 2008


.::. PRA EU PARAR DE ME DOER.::.

Mais que a dor do amor
Viver a dor, me doeu
Eu quero mesmo é ser feliz
Amar, amor

Quem não semear,
Não vai colher
Ai, de quem é um
E nunca será dois
Por não saber...

Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo
Quem irá me valer?
É o segredo de fazer amigos...

Milton Nascimento / Fernando Brant

.::.

Fiquei imaginando em como o mundo dá voltas e acaba por não sair do lugar. Em como sou o mesmo garoto perdido daquele outro tempo, entre serras e noites de lua cheia. Sonhando em acordar uma madrugada e, pulando a janela do quarto, dar de cara com um mundo diferente. Inventado, imaginado.

Mas aprendi que a única forma de criar um mundo novo é dar tempo ao tempo.

Perto do Coração Selvagem

.::.

Sabemos ... essa não é a única e nem a melhor forma, mas às vezes, é somente a que nos resta ...


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Domingo, Abril 20, 2008



Jim Vecchi

Por que tenho saudades de você, no retrato, ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?
Talvez por que o retrato, já sem o enfeite das palavras, tenha um ar de lembrança.
Talvez por que o retrato (exato, embora malicioso) revele algo de criança (como no fundo da água, um coral e repouso).
Talvez pela idéia de ausêcia que o seu retrato faz surgir colocado entre nós dois (como um ramo de hortência).
Talvez porque o seu retrato, embora eu me torne oblíquo, me olha sempre de frente (amorosamente).
Talvez porque o seu retrato mais se parece com você do que você mesma (ingrato).
Talvez porque, no seu retrato, você está imóvel (sem respiração...)
Talvez porque todo retrato é uma retratação...

Cassiano Ricardo


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Sexta-feira, Abril 18, 2008


.::. ONCE .::.

Cedo ou tarde descobrimos que sim, vale a pena seguir os caminhos apontados pelo brilho enluarado de nossos olhos, senão todos, alguns deles pelo menos. A escuridão do passado , da dor, dos medos e das dúvidas se esvanece silenciosa e um encanto de luz beija nossos dias. A melodiosa vida acorda ... e sendo perfeito ou fora do tom, o futuro pode ser a música de um álbum ou tão somente uma canção isolada que canta companheira aquilo que não se consegue dizer ...

Apenas Uma Vez. Um filme de John Carney. Irlanda , 2006 .


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Segunda-feira, Abril 14, 2008


.::. DOM QUIXOTE .::.


Thelma Cruz

Com mãos sonhadoras moldei castelos efêmeros
iluminados pelo calor brando do entardecer .
Em nuvens sopradas por ventos inclementes ,
a noite se fez chuva em meus olhos.


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Sexta-feira, Abril 04, 2008




.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Terça-feira, Janeiro 15, 2008



Joepe Wolfe

Sabe o que eu queria agora, meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo, um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém

Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender por que se agridem
Se empurram pr´um abismo
Se debatem, se combatem sem saber

Meu amor
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair

Adeus.

Vander Lee


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008


.::. CENTELHA .::.


Autor desconhecido

Pólen alado
Fecunda a semente
Germina vida


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Domingo, Dezembro 23, 2007


.::. LUZES DE DEZEMBRO .::.

Tempo de agitação, correria, ruas cheias, festas, confraternizações, férias, compras, presentes, árvores enfeitadas, papais-noéis, cartões, novas agendas, novos propósitos, contagens regressivas, fogos de artifício, felicitações, lembranças do que agora é passado, desejos do que amanhã será o presente.

E o espírito natalino? Come-se em fartas ceias? Desembrulha-se dos papéis e fitas e depois guarda-se no fundo da gaveta ? Descarta-se com os balões coloridos?

Paramos hoje, um momento que seja , para agradecer a benção da vida que temos, as alegrias e também os percalços e tristezas que nós e os nossos tiveram pelo caminho? Paramos para aceitar o convite contínuo do novo em cada alvorecer/anoitecer e mais, para nos sintonizarmos com o maior ensinamento de uma simples e humilde criança, que simbolicamente “renasce” todos os anos para nos lembrar que “Amar” não é só uma esperança, mas uma realidade possível?

Onde ficam a nossa disposição de abrir o coração e a atitude de arregaçar as mangas e tornar este ensinamento uma prática diária, de dezembro a dezembro?

Doar e compartilhar um pouco de si mesmo... Não são necessários grandes gestos, muito pelo contrário. Bem perto de nós sempre haverá alguém ( inclusive nós próprios ) esperando por um alimento que sacie a fome, uma roupa que aqueça o corpo, um cuidado para uma saúde frágil, um material e um incentivo para estudo, um olhar atento à nossa "casa", ao ambiente e à natureza viva da qual somos parte ativa, uma palavra amiga, um ouvido atento, um sorriso espontâneo , um tempo e uma presença que alimentem a alma, o corpo, ou apenas e tão somente, uma mão estendida e comprometida a amar incondicionalmente.

Toques de amor iluminam mais que pisca-piscas reluzentes. Eles despertam e renovam os espíritos e duram mais que uma estação ... duram um instante realmente vivido.


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007





.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Sábado, Dezembro 08, 2007



Philip Schermeister

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Terça-feira, Dezembro 04, 2007


.::. PURIFICAÇÃO .::.

Quatro horas . O gavião marrom fechou suas asas e pousou vibrando o ar. Num vôo baixo e rápido me indicou a direção. Leste. Saí do carro e o segui em passadas hipnóticas até uma espécie de ninho entre galhos secos e folhas verdes de uma palmeira logo acima. Ele , à mostra, deixou que eu, num misto de surpresa, incredulidade e comoção , o observasse enquanto "trabalhava" calmamente com o bico . Um aceno em sentido oposto desviou minha atenção e não mais o vi . De repente, enquanto as nuvens no céu tingiam-se de cinza, me falou pelo Vento - prenúncio de tempestade, chamado.

Retornei ao meu caminho, agora com o coração em batidas descompassadas na cadência de grossos pingos que manchavam o chão . Chuva intensa , ventania . Nos olhos e na alma, inquietação. Sussurro ancestral na pele. O céu em prantos pedia uma oferenda enquanto derramava bençãos . Purificação...

Em casa , uma hora depois, nua em penas, pés descalços e asas nos braços , misturando-me às poças refletidas, entreguei-me num vôo cego à Água da Vida entre as folhagens e galhos salpicados de tarde , envolvida pelo aroma de hortelã e pelo toque de sementes da árvore da felicidade. Então , após o "batismo", de joelhos, com as mãos postas no peito e com o corpo ungido e vestido somente de pura chuva e agora abençoada pela Mãe Terra, agradeci .


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Domingo, Dezembro 02, 2007


.::. pertenSER .::.



Em mãos repletas de emoções e sensações contidas, o toque real de mundos invisívies transborda viço e liberdade : o toque da natureza envolvente, o toque dos pés na terra, o toque fresco da chuva, o toque de seda da flor, o toque do ar quente nas narinas, o toque de outra criatura, o toque de todo um corpo. Interpenetrações . Trocas. Percepções de si . Percepções do todo. Delicadeza e nuances . Despertar. Despir-se. Desprender-se . Nos caminhos do bosque e nos caminhos da vida , a busca instintiva não do animal , mas do humano. Amor. Sentimento-ser, pertenSer. Estamos todos vivos.

Lady Chatterley . Um filme de Pascale Ferran. França/Bélgica/Inglaterra, 2006


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

Quinta-feira, Novembro 22, 2007


.::. SOLARIS .::.


SOHO Consortium ESA/NASA

Crepitam
Fagulhas
Linguas de fogo

Explosões
Arrebatamento
Vento solar

Âmago
Em chamas
Transmuta

Sagrada
Fogueira
Viva


.::. Seja um canal .::.
Deixe ecoar suas palavras .::. | Ecoe por aqui tb .::. eco(s) | #

.::.


.::. Eco d´alma .::.



.::.


.::. Par .::.


pandaandando

.::.


.::. Eu sou .::.




.::.


.::. Ecos solidários .::.


Colabore. Os anjos da Aldeia precisam e agradecem.


Colabore. As crianças agradecem . Contato com a instituição pelo telefone : (31)3598.1811


Colabore. A casa de apoio ao carente oncológico agradece.


Colabore


.::.


.::. Eco de cor .::.


.::.